Sei da impossibilidade de agradar a gregos e troianos, mas minha alma conciliatória me obriga a fazer uma humilde tentativa. Escrevi semanas atrás sobre minha irritação com os incômodos causados pelas condições meteorológicas da Dinamarca, o que provocou reações discordantes aqui no blog e no Facebook. Mas desde então desapareci do blog por que tinha algo inadiável e irresistível para fazer: curtir dias com tempo bom na Dinamarca.
Nas últimas semanas, que aliás incluíram os feriados da Semana Santa, o tempo na Dinamarca tem sido inacreditavelmente agradabilíssimo. O sol brilhou quase todos os dias, uma brisa suave substituiu aquele vento insuportável, e a temperatura durante o dia ficou entre os 15 e 20 graus. Eu até que podia dizer que a temperatura deveria estar cinco graus mais alta para ficar ainda mais agradável, mas nesse post vou me abster de fazer qualquer comentário mal humorado e negativo.
Então, o que fazer na Dinamarca quando o tempo está bom? Inventa-se qualquer coisa para fazer ao ar livre. Assim lá fomos minha filha, meu marido e eu para o jardim e parques assistir a primavera chegando. É quase como esperar pela estreia de um grande espetáculo há muito tempo anunciado. Em vez da poltrona numa grande sala de teatro, você se senta num gramado, que a essa altura já está quase completamente verde, e percebe que por trás daquela paisagem triste e ressequida há um espetáculo deslumbrante e grandioso prestes a começar. Há um clima de suspense que impacienta os organismos saudosos dos cheiros, cores, texturas, sons e sabores da primavera. É tão excitante quanto o anticlímax de um bom romance policial. Em breve tudo vai se revelar e mostrar que por trás daquele mundo que você achava conhecer, existe um outro muito mais alegre e colorido.
Depois que os primeiros brotos das árvores começam a despontar, a chegada da primavera mais parece um filme em câmara lenta. Basta observar, prestar atenção para quase ver os brotos e flores das árvores se revelando e se erguendo dos galhos aparentemente sem vida. No meu quintal, o fenômeno é sincronizado, uma árvore depois da outra: primeiro a cerejeira, depois a ameixeira, aí vêm as macieiras e os pés de groselha. Ao fundo, as flores explodem em amarelos, lilases, azuis, brancos e vermelhos. Nas ruas e parques, as castanheiras, bétulas e faias dominam o cenário, ali e acolá pontilhado com o amarelo dos narcisos.
Nessa época descobrimos o qual variada a cor verde pode ser. São inúmeros os tons de verde, que variam de acordo com a espécie e fase do brotamento da árvore em questão.
É um espetáculo para o qual não preciso comprar ingresso mas para o qual sempre reservo lugar num gramado ou banco de jardim. Um espetáculo que alegra a alma e reaviva os sentidos.

Carlos
15/05/2011
Nossa desta vez vc se superou…. morri de inveja dos que podem ter este espetáculo da natureza todos os anos….
No fundo nosso planeta é lindo em todas as suas variáções climáticas, mas temos que ter olhos para ver e fechar um pouco a boca com nossas reclamações… certamente, aqui no Rio temos momentos tão belos como este que vivencias aí em Copenhagem!
Vou fazer como vc, ter olhos para ver as belezas que me rodeiam… obrigado!
Parabéns pela bela cidade em que vive e pelo ótimo post!
Abraços Carlos.
Margareth Marmori
16/05/2011
Obrigada a você pelo seu comentário, Carlos. O meu entusiasmo com o espetáculo da primavera é ainda maior porque aqui temos de esperar meses por ele. Na minha terra natal, Brasília, há uma espera parecida duante os meses de seca, de junho a setembro, e o espetáculo, na minha opinião, também é de encher os olhos, embora eu ache que a seca também tenha suas belezas: os ipês floridos, os banhos de cachoeira, os entardeceres avermelhados, as noites enluaradas… Abraços, Margareth