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Os olhos fixos no teto, eu ouvia canções natalinas em dinamarquesas e inglês que tocavam numa estacão de rádio. Ao mesmo tempo me dividia entre tentar prestar atenção ou ignorar o que dois médicos e duas enfermeiras falavam sobre os preparativos para a maior festa anual do país: o Natal. Entre receitas de biscoitos de canela e da bebida gløgg, típicos da Dinamarca nesta época do ano, a equipe médica costurava em meu peito um pequeno e estranho presente de natal.
A operação foi rápida, levou apenas cerca de trinta minutos. Foi uma experiência esquisita e, por conta do meu interesse por avanços científicos e tecnológicos, quase divertida. A técnica é muito interessante: se corta, dobra e costura um pedaço de pele e pronto. No início parecia um pacotinho de pele amontoado no meu peito pouco varonil. Como previsto pela enfermeira, desde a operação o pacotinho murchou e está cada vez mais parecendo um mamilo de verdade, embora eu ache que nunca vá chegar a ser igual ao outro que nasceu comigo. Daqui a alguns meses, uma tatuagem para escurecer a pele vai terminar o trabalho.
O pequeno procedimento encerrou um ano que para mim ficou marcado por duas cirurgias plásticas. Agora é pôr o pé na estrada e seguir adiante que atrás vem gente.

Publicado em 18/01/2011
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