Bingo! O que parecia impossível aconteceu. Os partidos que participam do governo dinamarquês conseguiram tornar a lei de imigração da Dinamarca ainda mais rígida. A partir do próximo ano, vai ficar ainda mais complicado e difícil para um estrangeiro que se casar com um dinamarquês ter o direito de viver na terra do patinho feio.
A lei já previa que um dinamarquês tinha de ter pelo menos 24 anos de idade para trazer seu marido ou esposa para viver aqui e, ainda, ter 50.000 coroas dinamarquesas numa conta bancária como uma espécie de garantia bancária.
Se o acordo entre os partidos da aliança governista, entre os quais o partido de extrema direita, o Danske Folkeparti (minha tradução: Partido do Povo Dinamarquês) for aprovado, o que é quase certo, a garantia bancária subirá para 100.000 coroas. Mas o pior é que quem se casar com um dinamarquês só poderá morar aqui se tiver pontos suficientes de acordo com um sistema de pontuação ainda a ser definido em detalhes que levará em conta o nível educacional do candidato, sua fluência em línguas mundiais (não sei bem o que querem dizer com isso; sempre achei que todas as línguas fossem “mundiais”) e experiência profissional. Todos esses critérios, segundo o acordo, serão analisados cuidadosamente para que o candidato a residente na Dinamarca seja mesmo de alto nível e possa “contribuir para a sociedade dinamarquesa”.
Em outras palavras, o estado dinamarquês passará a ter um papel ainda mais importante na decisão sobre com quem seus cidadãos poderão se casar. O curioso é que o objetivo inicial dessa política de imigração restritiva era impedir casamento arranjados entre moças de famílias muçulmanas residentes na Dinamarca com rapazes que viviam nos países de origem dessas famílias. Agora, parece que o estado dinamarquês está fazendo algo parecido com o que tencionava combater: a falta de liberdade das pessoas na hora de escolher com quem querem se casar.
Um dos princípios por trás da nova lei é que a vinda de estrangeiros para constituir família na Dinamarca não deve se basear no direito das pessoas a viverem com quem elas amam mas sim no que é interessante do ponto de vista econômico para o país. Esse é um princípio perverso e cínico se se levar em conta que permite a entrada no país apenas de uma mão de obra altamente qualificada que vai fazer falta no país de onde ela saiu, principalmente se esse for um país pobre. Talvez o mais justo fosse se a Dinamarca, como contrapartida pela tentativa de drenar os países mais pobres de seus trabalhadores qualificados, também aceitasse receber imigrantes com baixa escolaridade. Mas acho que esperar justiça no sistema de imigração na Dinamarca é pura ingenuidade.
É o décimo ano consecutivo que o Danske Folkeparti consegue que o governo adote uma lei de imigração mais severa. Membros do Danske Folkeparti chegaram a dizer com orgulho que a lei de imigração da Dinamarca é agora a mais severa da Europa. A ministra responsável pela área de imigração, Birthe Rønn Hornbech, preferiu não comentar a declaração que, na minha opinião, deveria ser motivo para constrangimento

Ana A.
25/11/2010
Olá Margareth,
Sou portuguesa e descobri o seu blogue o ano passado, pois temos algo em comum (cancro da mama), e foi numa busca no google sobre quimioterapia que encontrei o outro seu blogue – Blogadona- nunca comentei mas hoje apetece-me fazê-lo.
Ao ler este post fico ainda mais desiludida com o género humano!
Os dinamarqueses ao quererem proteger-se do resto do mundo, salvo aqueles que lhes poderão trazer mais-valias, podem estar simultaneamente com essas medidas, a incentivar a saída dos próprios dinamarqueses para outros países, pois não acredito que eles aceitarão essas regras.
Desejo que esteja tudo bem consigo!
Abraço blogosférico
Ana
Margareth Marmori
30/11/2010
Olá Ana,
Muito obrigada por seu comentário. Me alegra imensamente saber que não só algo triste, o cancro de mama, nos une, mas também a indignação com injustiças que infelizmente presenciamos tão frequentemente.
Estou bem de saúde. Espero que você também esteja superando a doença.
Abração,
Margareth